Aracaju e o Futuro da Economia Criativa: Cultura como Pilar de Desenvolvimento em Tempos de Incerteza
Um Novo Rumo para a Cultura Brasileira: Aracaju no Fórum de Economia Criativa
A cultura e a criatividade transcendem fronteiras e não são apenas expressões artísticas ou espetáculos que enriquecem o cotidiano. Elas são fontes de transformação social, econômica e territorial, capazes de impulsionar setores inteiros e gerar oportunidades onde outras políticas encontram limites. Na última terça-feira, 10 de julho, a Secretaria Municipal de Cultura de Aracaju (Secult Aju) reforçou essa visão ao participar do Fórum Brasil Criativo: imaginando o futuro em tempos de incertezas radicais, realizado em Salvador pela Bahia, sob a coordenação do Ministério da Cultura (MinC). O evento, que reuniu gestores, especialistas e atores do setor cultural, marcou não apenas um debate sobre o potencial da cultura, mas também o lançamento de duas iniciativas pioneiras no Brasil: a Portaria que institucionaliza a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult) e o Observatório Celso Furtado de Cultura e Economia Criativa (OBEC). Essas medidas são fundamentais para consolidar a Política Nacional de Economia Criativa — um paradigma que reconhece a cultura como um vetor estratégico de desenvolvimento.
O fórum teve como palco o Palacete Tira Chapéu, em Salvador, onde a ministra da Cultura, Margareth Menezes, presidiu debates enriquecidos pela participação de figuras como João Jorge, um dos fundadores do Olodum, referência mundial no movimento do Carnaval de rua e na revitalização cultural das comunidades.
O Papel da Cultura na Economia: Formação e Dados como Chaves do Processo
Entre as grandes novidades apresentadas no evento, destaque para a criação da Escult, nova escola voltada para a formação de profissionais capazes de atuar nos mais diversos segmentos da economia criativa. Com um currículo adaptado às demandas contemporâneas, a iniciativa vai além da capacitação técnica: ela busca formar agentes culturais críticos, capazes de pensar o setor em suas interfaces com o desenvolvimento local e global. A economia criativa é um campo em expansão — desde música e artes visuais até games, moda e design — e exige especialistas atualizados, conectados e preparados para desafios que vão desde a gestão de recursos até a inovação em modelos de negócios.
A Escult não é uma escola comum. Ela nasce da parceria entre o MinC e a University College London (UCL), por meio do Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP), com o apoio técnico da UNESCO. Essa colaboração internacional traz uma missão e uma abordagem de pesquisa inéditas, com destaque para um projeto focado no Carnaval brasileiro como fenômeno cultural, econômico e social. Mariana Mazzucato, economista italiana e renomada pesquisadora do valor público da cultura, foi a convidada principal para discutir essa relação complexa e promissora.
Através de sua palestra, Mazzucato revelou dados e estudos que demonstram como a cultura não apenas movimenta ramos inteiros da economia, mas também cria externalidades positivas — como a coesão social, o empoderamento de comunidades e a inovação. Em tempos de crises econômicas e transformações radicais, como a que vivemos atualmente com a instabilidade política e as mudanças climáticas, o setor cultural se mostra um aliado inesperado, capaz de gerar emprego, estimular a resiliência local e forjar identidades. Aracaju, com sua rica herança afro-brasileira e carnavalesca, tem um potencial imenso para se beneficiar dessa política, transformando sua tradição cultural em oportunidades concretas.
Completando o arcabouço estratégico, o Observatório Celso Furtado de Cultura e Economia Criativa (OBEC) foi outro grande lançamento do fórum. O observatório será responsável por produzir dados confiáveis e análises que subsidiarão a implementação da Política Nacional de Economia Criativa. Nesse sentido, Aracaju sai à frente, pois o município já possui um histórico de investimento em culturas populares e eventos regionais, como as rodas de capoeira e as festividades do Carnaval de Aruanda, algumas das quais antecedem a própria fundação do Brasil. Essa base cultural é um tesouro que, agora, ganha instrumentos para ser melhor mensurado, valorizado e potencializado.
Paulo Corrêa e a Visão de Aracaju: Cultura com Planejamento
Para o secretário da Secretaria Municipal de Cultura de Aracaju, Paulo Corrêa, o fórum foi uma confirmação de que a cidade está no caminho certo. Em entrevista após o evento, Corrêa destacou a necessidade de resgatar a cultura como elemento central nas políticas públicas, afirmando: ‘Essa visão busca mover a cultura para o centro das políticas de Estado — com planejamento estratégico e foco em missão. Foi um importante evento que vai trazer muita contribuição para as políticas de economia criativa que iremos levar para a Secretaria de Cultura de Aracaju.’
A Secretaria de Aracaju já vem desenvolvendo projetos alinhados com essa nova perspectiva. Um exemplo é o trabalho junto aos grupos de capoeira da cidade, responsáveis por manter viva uma das maiores expressões culturais do Brasil. A capoeira é mais do que arte: ela é emprego, turismo e um símbolo da resistência africana no solo brasileiro. Aracaju, reconhecida internacionalmente pelo seu Carnaval de Aruanda, também pode se beneficiar com essa política expandindo sua economia criativa para setores como artesanato, música e produção audiovisual.
Outro aspecto fundamental discutido no fórum foi a sustainabilidade. A economia criativa não se limita ao aspecto financeiro; ela também integra princípios de desenvolvimento inclusivo e participaçãoativa. Com a criação da Escult e do OBEC, o MinC reforça a importância de formar profissionais éticos, atentos aos direitos autorais, à dignidade cultural e ao impacto social das suas ações. Para Aracaju, isso significa oportunidade de criar um diálogo mais robusto com seus artistas e comunidades, garantindo que a economia criativa seja um caminho de ascensão para todos.
Além de João Jorge, o fórum contou com a participação de outras lideranças culturais, como Djamila Ribeiro, filósofa e ativista social envolvida no debate sobre diversidade e representação na cultura brasileira. O encontro foi um espaço de construção coletiva, onde diferentes visões se fundiram para um objetivo comum: fomentar a cultura como motor de desenvolvimento, seja nos grandes centros urbanos ou nas comunidades mais periféricas.
Carnaval, Pesquisa e Economia Criativa: O Caso Brasileiro
Uma das grandes discussões do fórum centrou-se no Carnaval brasileiro, não apenas como festa, mas como um fenômeno completo de economia criativa. O evento de Salvador, além de ter a participação do Olodum, recebeu um estudo de campo liderado por pesquisadores da UCL, que analisaram como o Carnaval impacta a cidade, os empregadores e, sobretudo, os artistas e suas comunidades. A parceria entre o MinC e a UCL, com apoio da UNESCO, promete resultados impactantes.
Segundo o projeto, o Carnaval movimenta mais de 2 bilhões de reais anualmente só na cidade de Salvador, gerando emprego direto e indireto para milhares de pessoas. Mas seu potencial não se restringe ao estado da Bahia. Aracaju e sua festa de Aruanda também podem ser modelares nesse contexto. Com a institucionalização de novos agentes formadores e observatórios de dados, é possível melhorar a gestão, direcionar investimentos e criar políticas que valorizem não apenas a tradição, mas também a inovação dentro desse universo.
Um ponto crucial é o reconhecimento do trabalho dos artistas. Muitas vezes, esses profissionais operam na informalidade, sem acesso a direitos trabalhistas ou garantias de renda. A economia criativa, quando bem estruturada, consegue formalizar esse trabalho, gerando benefícios tangíveis e intangíveis. Por exemplo, uma escola de capoeira ou uma oficina de máscaras de Carnaval, além de promover a cultura, podem se tornar pequenos negócios que impulsionam a economia local.
O Que Aracaju Pode Aproveitar?
Aracaju possui uma riqueza cultural inquestionável. Sua tradição afro-brasileira, os blocos de Carnaval, a música de coco e o artesanato são expressões que atraem admiradores e turistas de fora do Brasil. O desafio agora é transformar essa tradição em uma economia criativa robusta e sustentável. O fórum em Salvador apontou algumas diretrizes para que isso seja possível:
- Capacitação profissional: Além de garantir a formação em áreas específicas, como música ou artesanato, a Escult pode ser um modelo para cursos em Aracaju que ensinem gestão cultural e empreendedorismo, habilidades essenciais para negócios criativos.
- Produção de dados: O OBEC vai ajudar a quantificar e qualificar o impacto da cultura no município, permitindo que decisores públicos alocam recursos com mais eficiência e mensurem resultados em políticas culturais.
- Formalização de artistas: Iniciativas de regulamentação e inserção no mercado formal podem garantir mais segurança e oportunidades para os criadores aracajuenses.
- Fomento a novos setores: Aracaju pode expandir sua economia criativa para áreas como design, games, tecnologia cultural e moda, atraindo investimentos e consolidando sua posição como polo cultural no Nordeste.
- Integração entre tradição e modernidade: O Carnaval de Aruanda, o coco e o capoeira precisam coexistir com novas tecnologias e plataformas, permitindo que a cultura da cidade alcance públicos globais.
Investir em cultura não significa apenas preservar o que já existe, mas também inovar e gerar oportunidades. Aracaju, com seu carnaval que já é Patrimônio da Humanidade desde 2007, tem tudo para se tornar um exemplo de como a economia criativa pode elevar a qualidade de vida de uma cidade inteira. A infraestrutura agora está sendo fortalecida: escolas capacitadoras, observatórios de dados e políticas públicas focadas em resultados. O futuro é promissor, mas requer ação.
O lançamento da Escult e do OBEC é mais do que um marco na política cultural brasileira: é a confirmation de um novo paradigma. Aracaju, com sua história de resistência e cultura viva, está perfeitamente posicionada para aproveitar essa transformação. Ao integrar a visão estratégica do MinC em suas políticas públicas, a cidade pode não apenas valorizar suas tradições, mas também criar um ecossistema criativo que beneficie a todos. O Carnaval, a capoeira, o coco e centenas de outras expressões já falam por si — agora, é hora de que o mercado e a sociedade também ouçam. Em tempos de incerteza, a cultura se mostra menos como um refúgio e mais como uma bússola, guiando caminhos de inclusão, inovação e crescimento. Aracaju tem essa chance agora, e cabe a seus gestores e à comunidade abraçá-la com entusiasmo e compromisso.”
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“aigenerated_tags”: “cultura em aracaju, economia criativa, política cultural brasileira”,
“aigenerated_image_prompt”: “Uma imagem vibrante e colorida que capture a essência cultural de Aracaju, evidenciando a pluralidade do Carnaval de Aruanda com blocos animados, artistas de capoeira em pose dinâmica, músicos tocando coco de roda, detalhes de artesanato local e uma paisagem urbana ao fundo que mostre a cidade de Aracaju com sua arquitetura colonial e moderna, ao pôr do sol. A cena deve transmitir movimento e celebração, reforçando a ideia de cultura como motor de desenvolvimento e transformação social, com um tom otimista e inspirador, ideal para um artigo sobre oportunidades e sustentabilidade no setor cultural.”
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