Inteligência Artificial

Disney e Paramount reclamam de pirataria em nova IA

  • Disney: Star Wars, Marvel e animações clássicas;
  • Paramount: South Park, Star Trek, O Poderoso Chefão, Bob Esponja, Tartarugas Ninja, Dora a Aventureira e Avatar.

A crise escalou após o lançamento recente do Seedance 2.0. A nova versão elevou o realismo das produções a um nível que os estúdios classificam como “indistinguível” das obras originais, permitindo a criação de cenas complexas com simples comandos de texto.

Por que o Seedance acendeu o alerta em Hollywood?

O principal gatilho para a ofensiva legal foi a viralização de vídeos hiper-realistas. Um dos exemplos, criado pelo artista Rauiri Robinson, mostra os atores Tom Cruise e Brad Pitt lutando em um telhado. A fidelidade visual e sonora gerou alarme sobre o uso da imagem de celebridades sem consentimento.

Para a Motion Picture Association (MPA) – que representa Netflix, Warner e Paramount –, a ByteDance opera uma “biblioteca pirata” automatizada. A denúncia da Disney reforça que a IA trata conteúdo protegido como se fossem “cliparts de domínio público”. Além do uso indevido, há o questionamento sobre o treinamento do modelo: a suspeita é que a ByteDance tenha feito scraping (raspagem) de décadas de produções cinematográficas sem qualquer compensação financeira.

Gabriel Miller, chefe de IP da Paramount, disse em carta ao CEO da ByteDance que os vídeos gerados configuram concorrência desleal. O sindicato SAG-AFTRA também se manifestou, apontando que a ferramenta ameaça o sustento dos profissionais ao criar performances sintéticas que substituem o trabalho humano.

A Disney adotou um tom mais incisivo. Para o estúdio, a plataforma não apenas permite a criação, mas incentiva o uso de personagens da Marvel e de Star Wars como se fossem recursos gratuitos.

Posicionamento da ByteDance

Em comunicado enviado à BBC, um porta-voz da ByteDance declarou que a empresa “respeita os direitos de propriedade intelectual” e que está implementando medidas para fortalecer salvaguardas. Contudo, a companhia não detalhou como essas barreiras funcionarão ou se removerá os vídeos infratores que já circulam no TikTok.

Vale notar que a ByteDance já havia limitado o upload de fotos de pessoas reais anteriormente, mas o Seedance 2.0 provou conseguir contornar restrições ao recriar rostos famosos apenas via prompts de texto.

A pressão não vem apenas dos Estados Unidos. O governo do Japão iniciou uma investigação própria sobre a empresa após vídeos de animes famosos, gerados por IA, inundarem as redes sociais. O caso é tratado como uma potencial violação em massa de direitos autorais.

O embate ocorre em um momento de transição no setor. No ano passado, a Disney firmou um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI para o uso controlado de 200 personagens na ferramenta Sora.

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